Instituto Dourados
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Missão

Construindo Autonomia Computacional para a Saúde Pública Indígena

O Instituto Dourados desenvolve a capacidade científica, computacional e organizacional necessária para que comunidades indígenas possam conduzir seus próprios futuros em saúde pública.

Nossa visão de longo prazo é desenvolver assistentes de inteligência artificial que preservem a privacidade dos usuários e sejam alimentados por fontes de energia renovável. A mesma infraestrutura também servirá como um cluster distribuído de computação científica compartilhado, fortalecendo a capacidade computacional local.

Nossa visão de longo prazo é desenvolver assistentes de inteligência artificial (IA) que preservem a privacidade dos usuários e sejam alimentados por fontes de energia renovável. A mesma infraestrutura que sustenta esses assistentes de IA também servirá como plataforma distribuída para computação científica, fortalecendo a capacidade computacional local.

Acreditamos que uma saúde pública sustentável depende do fortalecimento da capacidade local, em vez da dependência de longo prazo de recursos externos ou de alto custo. Para apoiar essa visão, desenvolvemos software de código aberto e sistemas computacionais sustentáveis que as próprias comunidades possam operar, manter e aperfeiçoar.

A ciência moderna, a inteligência artificial e a indústria da tecnologia são construídas sobre uma enorme base de software de código aberto. Assim como as economias industriais dependeram de redes de transporte e de recursos energéticos, a participação significativa na economia computacional contemporânea depende do acesso a essa infraestrutura digital compartilhada.

O Instituto Dourados ajuda comunidades a participarem do ecossistema global de código aberto não apenas como usuárias, mas também como colaboradoras, inovadoras e lideranças. Acreditamos que comunidades indígenas devem ter oportunidade de desenvolver software científico, infraestrutura computacional e novas tecnologias alinhadas às suas próprias prioridades, contribuindo para avanços científicos e tecnológicos em todo o mundo enquanto também se beneficiam deles.

Fundamentos

Nosso trabalho baseia-se em uma colaboração de longa data na Reserva Indígena de Dourados. Durante a pandemia de COVID-19, a Dra. Rezende e seus colaboradores desenvolveram sistemas de informação epidemiológica para acompanhar a chegada e a disseminação de variantes do SARS-CoV-2 na Reserva (Simionatto et al. 2020; Oliveira et al. 2023).

Esse trabalho demonstrou a importância de compreender a estrutura social local para o planejamento em saúde pública. O Instituto Dourados amplia essa base ao desenvolver métodos computacionais que ajudam comunidades a antecipar futuros surtos, avaliar estratégias de intervenção e adaptar essas abordagens a comunidades indígenas em todo o Brasil e além.

A Reserva Indígena de Dourados

A Reserva Indígena de Dourados está localizada no estado de Mato Grosso do Sul, no sudoeste do Brasil, ao lado da cidade de Dourados. A Reserva situa-se em uma região marcada por longas histórias de ocupação indígena, deslocamentos populacionais e políticas estatais que reuniram diferentes povos indígenas em um território compartilhado.

Hoje, aproximadamente 18 mil pessoas vivem nas duas aldeias da Reserva, Bororó e Jaguapiru. A população é composta por diversos povos indígenas, sendo os Guarani Kaiowá e os Terena os grupos mais numerosos.

A Reserva é o lar de nossos colaboradores e o local onde nossa pesquisa é desenvolvida e avaliada em parceria com a comunidade local.

Compreendendo a Transmissão de Doenças

A transmissão de doenças depende não apenas da biologia, mas também da forma como as pessoas vivem, trabalham, viajam e interagem. Combinamos epidemiologia e ciência social quantitativa para compreender como a estrutura social influencia a disseminação de doenças infecciosas.

Nossa pesquisa atual procura responder a diversas questões:

  1. Quais agrupamentos sociais (aldeia, etnia ou aldeia × etnia) melhor explicam os padrões observados de transmissão?
  2. Qual é a importância das viagens à cidade na introdução de novas variantes?
  3. Em que condições a reinfecção altera significativamente a dinâmica das epidemias?

Saúde Pública Computacional

Compreender a transmissão de doenças é apenas o primeiro passo. Nosso objetivo é transformar conhecimento científico em ferramentas práticas de apoio à tomada de decisões por comunidades e profissionais da saúde pública.

Desenvolvemos modelos computacionais que permitem explorar diferentes estratégias de intervenção antes que novos surtos ocorram. Esses modelos ajudam a avaliar como recursos limitados podem ser alocados para reduzir a transmissão de doenças, equilibrando eficiência, equidade e prioridades locais.

Visão de Longo Prazo

Nossa visão de longo prazo é construir uma comunidade vibrante de parceiros indígenas, docentes, estudantes e pesquisadores trabalhando em conjunto para promover a saúde pública indígena por meio da ciência aberta e da autonomia computacional.

Ao integrar parcerias comunitárias, infraestrutura computacional sustentável e software científico de código aberto, buscamos criar sistemas de saúde pública que as próprias comunidades possam compreender, governar e aperfeiçoar. Acreditamos que essa integração entre pesquisa de campo, ciência computacional e autonomia local oferece uma base duradoura para a saúde pública indígena no Brasil e além.

Referências

Oliveira, Laís Albuquerque de, Izabela Mauricio de Rezende, Vinicius João Navarini, et al. 2023. «Genomic characterization of SARS-CoV-2 from an indigenous reserve in Mato Grosso do Sul, Brazil». Frontiers in Public Health 11 (October): 1–11. https://doi.org/10.3389/fpubh.2023.1195779.
Simionatto, Simone, Marcelo Barbosa, e Silvana Beutinger Marchioro. 2020. «Covid-19 in brazilian indigenous people: A new threat to old problems». Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 53: 1–3. https://doi.org/10.1590/0037-8682-0476-2020.